O prazer

O corpo dela ardia, estremecia sempre que ela pensava em tê-lo, todo, inteiro nela, imaginando o cheiro que exalava do seu desejo em senti-lo.

Ela o desejava, com uma ânsia doida, de um modo intenso, indecente, poder-se-ia dizer: pornográfico.

Assim, ela ia vivendo, na esperança de poder tocá-lo, de sentir suas partes, de poder respirar o mesmo ar que saia de se interior, de modo cadenciado, com olhos nos olhos, enquanto as gotas de suor iam descendo por entre seus corpos, que estavam encaixados, tornando-se apenas um único ser, que representava naquele momento, um dos sete pecados capitais, a luxúria, o prazer de ter prazer, de sentir cada milímetro de seu corpo sendo percorrido por mililitros de sangue, os quais deixava sua vulva mais quente e inchada, e que poderia permitir que o pênis ereto daquele macho lhe preenchesse por completa, com a troca de fluídos que umidificavam não só seus sexos, mas o mundo, a vida, de modo a fazer surgir o que a mitologia denominou de Deusa do Amor, Afrodite.

O calor que emergia dos corpos, poderia inflamar um prédio, um bairro, pois seus corpos queimavam ardentes, abrasavam-se, mas não doíam, nem mesmo com as estocadas cada vez mais fortes e aceleradas, que faziam com que os corpos, antes estáticos, tornassem a mais perfeita representação de energia cinética.

Os corpos eram centros de energia, a buceta já não aguentava mais, parecia ia se abrir, como uma rosa na primavera, desatando o caminho para sua alma, talvez sua única parte pura.

Nem mesmo, quando ele a estocou por trás, em um movimento de vai e vem, mistura com o mais doce e gostoso rebolar já visto na terra, gerando o prazer dos anjos, sim, anjos também pecam, também se entregam ao tesão, pois a vibração do sexo, é ímpar, ilimitado.

Por outro lado, a dor de ter o rabo esgarçado, era ao menos tempo um ofendículo para o prazer pleno, pois já era um mito, objeto de falácias que não se sustentam diante da busca ao prazer.

A respiração se apura, foge ao ritmo de qualquer sincronismo musical, acelera, os anjos batem mais intensamente suas asas, as estrelas se alinham e nada, absolutamente, nada afeta o prazer do gozo, que vem seguido do surgimento do fluído dos Deuses, o dela, unicamente para molhar sua vagina, mostrando que é possível haver vida após o êxtase, e o dele, para esparramar e molhar as nádegas, que ainda tremem em virtude do prazer.”

Deixe um comentário